Edifício

Breve enquadramento histórico

 

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É de 1783, a referência mais antiga, conhecida até à data, que atesta a existência de uma quinta neste local. Designada por Quinta do Desembargador, a fonte escrita, situa-a na Paróquia de Nossa Senhora do Amparo, na Estrada de Benfica, no lugar do Chafariz.

O nome pelo qual o Palácio é conhecido deve-se a uma das suas proprietárias, Dona Maria Joanna do Rego Baldaya, que estabeleceu residência no local entre 1840 e 1859, ano da sua morte.

Após a morte de D. Joanna Baldaya, a propriedade foi passando por diversas mãos, chega a ser hotel e em 1918 é adquirido pelo Estado Português, com o objetivo de aí instalar o Laboratório de Patologia Veterinária e Bacteriologia.

Em 2006, com a reforma do sistema de laboratórios nacionais, as valências deste laboratório foram integradas no Instituto Nacional de Recursos Biológicos (INRB), criado em 2007, com sede na Quinta do Marquês de Pombal, em Oeiras. As várias valências sediadas no Laboratório foram progressivamente passando para Oeiras, deixando o Palácio, e envolvente, devoluto e sem manutenção.

Em 2009, o Palácio e terrenos do Laboratório são cedidos à ESTAMO.

A 1 de fevereiro de 2015, a Câmara Municipal de Lisboa cede o Palácio e o seu jardim, em regime de comodato, à Junta de Freguesia de Benfica.

 

Características

No seu aspeto atual, podemos distinguir, duas épocas de construção e vários acrescentos. Os dois pisos inferiores, até à cornija, marcados pelo gosto português de finais do século XVIII, de modulação regular dos vãos, privilegiando o eixo da entrada, central em relação ao edifício, com o portal unido à janela do primeiro piso, que mantém a axialidade através do remate através do remate curvo que a diferencia das outras. O piso superior, em águas-furtadas, que rompeu a platibanda num ritmo de pequenas varandas que deixam ver graciosas janelas de remate curvo, com decoração central em concha, é um acrescento, datado da segunda metade do século XIX, aquando da instalação no edifício do Hotel Mafra. Este acrescento, bem como o revestimento cerâmico da fachada, contemporâneo destas intervenções, conferiram ao edifício um certo ar afrancesado, de gosto romântico.

Mais tarde, é acrescentado, ao edifício principal, um corpo lateral, executado, pelo Laboratório de Veterinária, para albergar a biblioteca e os serviços administrativos, necessários de apoio aos espaços laboratoriais.

À data da transferência do espaço, por comodato, o estado físico em que se encontravam os elementos construtivos do Palácio Baldaya demonstravam falta de manutenção preventiva e curativa. A Junta de Freguesia de Benfica, deu, então, início à obra de recuperação e restauro do edifício.

 

Adaptação do edifício:

 

Palácio Baldaya - 07 de março de 2018 -7               Palácio Baldaya - 07 de março de 2018 -9

Coordenando esforços financeiros com a Câmara Municipal de Lisboa, que disponibilizou ao abrigo de um Protocolo de Delegação de Competência uma verba de cerca de 230 000€ para adaptação do edifício para acolher um espaço Cowork, na sequência de um projeto vencedor do OP Lisboa em 2013, a Junta de Freguesia de Benfica deu inicio às obras de recuperação do edifício. Com a junção dos esforços financeiros da Junta de Freguesia de Benfica e Câmara Municipal de Lisboa foi possível ir além do inicialmente previsto e dar resposta à necessidade de criação de um centro cultural em Benfica.

O trabalho de recuperação encetado teve por objetivo final a criação de um polo cultural e de inovação em Benfica, com espaços de estudo, serviço educativo, áreas para exposições, instalação do serviço de Formação (FORMUP), sede da Associação +Benfica e uma zona de CoWork dotada de recursos adequados à capacitação e desenvolvimento de projetos/negócios.

A intervenção no edifício foi projetada com uma visão holística das áreas funcionais selecionadas, permitindo criar desta forma sinergias em todos os espaços comuns do edifício. Na totalidade de aproximadamente 800 m2 de zona comuns e de serviços, o espaço tem 19 divisões distribuídas por 3 pisos, mais as águas furtadas. Aquando da intervenção de recuperação do edifício, algumas divisões foram ampliadas, tendo-se procedido ao derrube de paredes, permitindo dotá-lo de espaços mais amplos e, consequentemente, com uma função mais polivalente, procurando responder às necessidades dos utilizadores.

Atualmente o espaço do Palácio Baldaya é composto por três pisos (Piso 0, Piso 1, Piso 2), as águas-furtadas e o jardim.  Os 3 patamares do edifício estão ligados por escadas, distribuídas por diversas áreas, e por dois elevadores. Está ainda, dotado de 4 zonas de instalações sanitárias: duas no piso 0, uma adaptada para pessoas com mobilidade reduzida e crianças; duas no piso 1, sendo uma adaptada para pessoas com mobilidade reduzida, e uma no piso 2.